educar com mindfulness na adolescência | Mikaela Övén https://blog.mikaelaoven.com Heartfulness & Parentalidade Consciente Thu, 16 May 2019 20:47:10 +0000 pt-PT hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://blog.mikaelaoven.com/wp-content/uploads/2017/11/cropped-MO_Simbolo_FullColor-32x32.png educar com mindfulness na adolescência | Mikaela Övén https://blog.mikaelaoven.com 32 32 ”Eu não te dei autorização!” – As partilhas sobre os nossos filhos nas redes sociais https://blog.mikaelaoven.com/eu-nao-te-dei-autorizacao/ Thu, 16 May 2019 15:00:46 +0000 https://blog.mikaelaoven.com/?p=15450

”Eu não te dei autorização!” dizia-me um dos meus filhos. Era sobre uma partilha que eu tinha feito no facebook. Uma partilha que fiz com total sensação que tinha sido autorizada pela criança em questão. Mas agora, tinha a minha frente um ser que sentia que a sua integridade estava ferida. E ferir a integridade, é algo que não quero mesmo fazer.

Uns dias antes desta conversa, que aconteceu entre todos no carro no final do dia, tinha lido um artigo de uma jovem adolescente que, ao criar contas nas redes sociais pela primeira vez, descobriu as partilhas que a mãe e a irmã já tinham feito imensas partilhas sobre ela. Algo que a fez escrever que se sentia traída.

Muitas vezes defendemos as nossas partilhas com o ”pergunto sempre ao meu filho primeiro e só partilho o que ele autoriza”. Tantas vezes que também disse isso. Mas naquele dia, no carro, estávamos cansados e com fome. E fui acusada de não ter agido bem, mesmo que eu tivesse a certeza absoluta de que tinha agido de acordo com o combinado.

Refleti sobre como é fácil autorizarmos uma partilha de algo nosso, uma fotografia ou uma história, quando estamos num bom momento. Quando estamos bem dispostos e quando nos sentimos próximos da pessoa que nos está a pedir. E como isso pode mudar, totalmente, no dia em que nos sentirmos com poucos recursos, num momento em que não sentimos tanta conexão, com a mesma pessoa. E como nesse momento, aquela partilha, com a qual até na altura concordamos, nos pode causar sensações desagradáveis, podemos de repente sentir que fomos usados… podemos sentir que a nossa integridade foi ferida.

Imagina, é um pouco como ir fazer uma tatuagem quando estás bêbada. Ou de deixares que te tirem uma fotografia nua num momento apaixonante.

E agora?

Bom, não acredito que haja respostas certas nem erradas, mas acredito que é necessária reflexão ponderada sobre este tema. Uma criança que nasce hoje em dia, em princípio não tem escolha sobre a pegada digital que quer deixar. Aliás, a pegada é feita por ela desde o primeiro momento, com fotografias da barriga da mãe e das ecografias. E assim continua. Algumas pessoas escolhem não fotografar a cara e sentem que essa é a forma mais certa. Outras não partilham fotos nenhumas mas partilham histórias e diálogos. E quero aqui deixar um convite à reflexão. E quero chamar à atenção às partilhas dos diálogos e das histórias. Pois não estamos aqui apenas a falar de fotografias (parece que às vezes discute-se este tema como se o único problema fossem as fotografias). Chamo particular atenção a este ponto, porque eu sou uma daquelas que no passado já partilhei muitos diálogos. Daqueles giros, com muita piada. E os sábios e profundos. E deixei de o fazer. Mas demorei a perceber o impacto que podem ter na relação com os meus filhos.

Como fazer então? Perguntar é sempre um bom começo. Mas por outro lado, a partir de que idade terá a criança consciência o suficiente para entender com que é que está a concordar? Se querem mesmo uma idade, então pensando com lógica. Cada rede social tem uma idade mínima para utilização. Supostamente acreditam que se entende o funcionamento da rede apenas a partir dessa idade. E os perfis são pessoais. Se o fornecedor dar rede acha adequado a sua utilização apenas a partir de uma certa idade então a própria pessoa não pode ter uma conta nem fazer partilhas suas antes dessa idade. Para facebook, por exemplo, isso implicaria apenas a partir dos 13 anos.

Entendo que vai haver muita gente que não acha isso viável. E por mim tudo bem. Isto é apenas um convite a reflexão. Na realidade acredito que depende. Depende de criança para criança. Depende das necessidades emocionais da criança (para quem conhece o modelo LASEr sobre qual falo no Educar com Mindfulness utiliza este conhecimento na tua reflexão). Depende se a estamos a manipular a partilha ou não. Depende. E depende entre outras coisas das respostas a algumas perguntas que te convido a fazer.

  1. Qual é a minha intenção? Porque é que quero fazer esta partilha?

  2. Como é que o meu filho se vai sentir quando descobrir esta partilha no futuro (quando pré-adolescente ou adolescente)?

  3. Como é que eu me sentiria se alguém que eu amo profundamente fizesse uma partilha equivalente sobre mim, agora?

Acredito que estas perguntas deverão ser feitas mesmo quando a criança autoriza uma publicação. E acredito que têm de ser feitas com total honestidade. Se forem enroladas numa série de desculpas e justificações, então não são honestas. (e sim, eu fiz as perguntas em relação a este artigo).

No próximo Podcast IVM, que conta com a participação especial da atriz Vera Kolodzig, falo precisamente deste tema, com tantas linhas subtis entre a invasão da privacidade e integridade da criança e a nossa vontade como pais.

Fica atent@! Vale MESMO a pena ouvir 🙂

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11 Hábitos de Uma Mãe que Procura Ser Consciente https://blog.mikaelaoven.com/11-habitos-de-uma-mae-que-procura-ser-consciente/ https://blog.mikaelaoven.com/11-habitos-de-uma-mae-que-procura-ser-consciente/#comments Thu, 09 May 2019 21:10:02 +0000 https://blog.mikaelaoven.com/?p=15447

Ando na jornada da parentalidade há mais de 15 anos. Todas as fases pelas quais os nossos filhos passam têm o seu encanto, mas nada me fascina como a adolescência. Quando a minha filha era muito pequena as vezes imaginava como seria quando ela fosse adolescente. Como seriam as nossas conversas? Como seria a nossa relação? Quem seria ela? E cá estou, a ter aquelas conversas e a ter aquela relação sobre qual fantasiava. E não poderia estar mais feliz. Claro que eu e a minha filha temos os nossos momentos sombrosos. Somos muito parecidas em tantas coisas, algo que as vezes parece uma maldição, pois todos aqueles lados em mim que procuro esconder, são espelhados… e nem sempre é fácil. Mas se parar, respirar e observar, alinho-me rapidamente com a minha intenção e sei o que fazer para reconectar e continuar a assumir responsabilidade pela nossa relação. E assumir responsabilidade pela relação é a melhor “ferramenta” que tenho, para tudo que diz respeito à minha filha (e aos meus filhos). (Já agora, se ainda não ouviste o último episódio do Podcast Inspiração para uma vida mágica, acho que vais gostar, aqui LINK)

Para poder assumir essa responsabilidade cheguei a prática de alguns hábitos que procuro ter, diariamente. Digo “procuro ter” e não “tenho”, porque se dissesse outra coisa estaria a mentir! Não sou uma mãe consciente a toda a hora, mas procuro ser uma, tenho essa intenção bem clara.

Ao escrever Educar com Mindfulness na Adolescência resolvi partilhar estes hábitos e vai aqui esse trecho do livro, um sneak peak daquilo que que vem aí:

1. CUIDAR DE MIM Em primeiro lugar, cuido da relação que tenho comigo própria. A importância primária do meu autocuidado nem sempre foi óbvia. Mas a determinada altura percebi que, quanto mais consciência e conhecimento tiver em relação a mim mesma, melhor é a relação que estabeleço com o outro e maior será a minha capacidade de ajudá‐lo a crescer e a desenvolver‐se. (Se pretender, pode ler mais sobre o meu processo de autodescoberta e da importância de cuidar de mim própria no livro Heartfulness ‐ Enfrente a Vida de Coração Aberto.) Carl Rogers partilhou numa das suas obras algumas palavras que ressoaram imenso em mim e que me fizeram realmente entender como o autocuidado é um bom princípio, tanto a nível pessoal como profissional. Rogers falava em “relações de ajuda” (que podem ser, por exemplo, entre terapeuta e paciente, ou entre pai e filho), dizendo que: “São aquelas criadas por uma pessoa psicologicamente madura. Por outras palavras, a minha capacidade de criar relações que facilitem o crescimento do outro como pessoa independente é uma medida do desenvolvimento que eu próprio atingi. De certa forma, esta é uma ideia perturbadora, mas é igualmente fecunda e estimulante. Isto mostra que, se estou interessado em criar relações de ajuda (ou relações conscientes, nota minha), tenho em mãos uma tarefa apaixonante para toda a vida que ampliará e desenvolverá as minhas potencialidades em direção à plena maturidade.”

2. ACEITAR Procuro relacionar‐me com os meus filhos tal como eles são, e não como gostava que eles fossem. Procuro relacionar‐me com o que são em cada momento, tentando ver para além do comportamento que estão a ter naquele instante. Mais uma vez, as palavras de Carl Rogers fazem todo o sentido para mim: “As pessoas são tão bonitas como um pôr do sol, se as deixarmos. Quando olho para um pôr do sol, não digo: menos laranja no canto direito, por favor. Não tento controlar um pôr do sol. Limito‐me a observar o fenómeno, maravilhado.” Imagine que tem estas palavras na sua mente quando se relaciona com um jovem que o está a desafiar. É in‐ crivelmente possibilitador!

3. MOSTRAR QUEM SOU Mostro quem sou. Não procuro ser perfeita. Admito e peço desculpa pelos meus erros. Falo sobre as minhas emoções, necessidades, opiniões, pensamentos e limites. Permito‐me ser vista pelos meus filhos tal como sou, sem máscaras.

4. VER INTENÇÕES POSITIVAS Parto sempre do princípio que as intenções dos meus filhos são positivas. Entendo que o resultado do comportamento que estão a ter possa ser negativo, mas sei que por detrás existe uma intenção positiva. Essa intenção normalmente tem a ver com as necessidades que estão a procurar colmatar naquele momento e cabe‐me ajudar a transformar a intenção positiva numa ação positiva nos momentos em que eles não o consigam fazer sozinhos

5. ACREDITAR Acredito que os meus filhos fazem sempre o melhor que podem com os recursos que têm disponíveis a cada momento. Se não estão a fazer o que eu acho que seria melhor é porque naquele instante não conseguem fazê‐lo. Este hábito e pressuposto pode ser difícil de integrar e entender à primeira, e às vezes “sabemos” que o nosso filho “sabe/ consegue melhor” porque já o testemunhámos no passado ou porque temos expectativas sobre as suas capacidades. No entanto, acreditar ou não nesta ideia faz uma enorme diferença na relação que criamos com o outro. Acreditarmos que alguém faz sempre o seu melhor não quer dizer que concordemos com todo o tipo de comportamento. Quer dizer que conseguimos ver novas estratégias e soluções para lidar com a pessoa, mais respeitadoras e possibilitadoras. Permite‐nos sentir compaixão e amor incondicional e ter realmente a oportunidade de ajudar.

6. OUVIR Das coisas mais valiosas numa relação é a capacidade de ouvir e a sensação de ser ouvido. Procuro ouvir mais do que falar. Penso muitas vezes no que um professor uma vez me disse a propósito de eu ser muito faladora: Teres dois ouvidos e uma boca significa que deves ouvir o dobro do que falas! Claro que, às vezes, esqueço‐me desse facto. Mas sei por experiência que ouvir o dobro (ou mais) do que se fala é fundamental para criar a conexão e a confiança necessárias para uma relação saudável e consciente com o nosso adolescente. Recorrendo uma vez mais às palavras do mestre Carl Rogers: “Quando uma pessoa percebe que foi verdadeiramente ouvida, os seus olhos enchem‐se de água. E acho mesmo que são lágrimas de felicidade. Como se dissesse: ‘Graças a Deus alguém me ouviu. Alguém compreende o que estou a experienciar’.”

7. NÃO JULGAR Sei que os meus filhos não são o seu comportamento, logo, não os julgo por isso. Não tenho a intenção de gerir ou mudar o comportamento deles pois sei que assim não estaria a influenciá‐los mas a manipulá‐los. E a manipulação não é um ingrediente a incluir numa relação consciente. Procuro antes entender o comportamento, ver o que está por detrás do mesmo para identificar as necessidades e as emoções que estão a exprimir, e é aí, com essa informação como base, que escolho a minha ação e foco‐me em ajudar a preencher as necessidades e reconhecer as emoções.

8. SER FLEXÍVEL Sei que a melhor forma de influenciar positivamente os meus filhos (de acordo com as minhas intenções como mãe) é ser flexível na minha forma de ser, estar e agir. Ser flexível significa ter a capacidade e a vontade de levar em conta tanto o desenvolvimento do seu filho como o seu próprio desenvolvimento, em vez de estar preso à ideia de ser “consistente” e fazer sempre igual. Quando sou flexível na minha comunicação, na minha forma de conectar, na minha forma de agir, nas estratégias que utilizo, aumento exponencialmente a possibilidade de influenciar e receber de volta a colaboração dos meus filhos. Este pressuposto pode ser muito difícil de aceitar, principalmente nas relações pais‐filhos onde exista uma ideia fixa de autoridade e obediência. Se realmente quisermos ter uma boa relação, estas ideias antigas de pouco nos servem. A questão da flexibilidade tem a ver com a ideia da teoria sistémica de que a pessoa com mais opções e escolhas de comportamento vai controlar/ter mais influência no sistema. Cada vez que limito as escolhas do meu comportamento (cada vez que insisto no mesmo comportamento/na mesma estratégia) perco a minha influência. Quanto mais opções houver, mais probabilidade haverá de criar um bom encontro. Também me lembro muitas vezes das palavras de Albert Einstein, que dizia algo como: “Fazer a mesma coisa várias vezes e esperar um resultado diferente é a definição de insanidade mental.”

9. CRIAR UM BOM ENCONTRO A minha intenção, quando comunico e interajo com os meus filhos, é criar um bom encontro. Um bom encontro significa um bom diálogo onde haja espaço para todas as emoções, necessidades, opiniões e pensamentos. Num bom encontro não estou a tentar conseguir algo por parte do outro, não quero mudá‐lo, alterar o seu comportamento ou conseguir que ele me obedeça ou faça algo em particular. Podem acontecer algumas dessas coisas, mas apenas como consequência natural desse bom encontro. Quando não consigo criar um bom encontro utilizo a informação que obtenho através da observação do meu filho e do contexto para modificar a minha comunicação e o meu comportamento.

10. CONFIAR A confiança é a chave. Quero confiar e não controlar. Começo sempre por confiar nos meus filhos. Nas suas capacidades, nas suas competências, no seu desenvolvimento, no seu comportamento, na sua comunicação, nas suas emoções e sentimentos… Existe a possibilidade de perder a confiança numa determinada situação. Mas essa primeira perda é temporária. Há sempre uma segunda oportunidade com a confiança, e só a partir daí é que considero algum tipo de consequência diferente. Muitos pais são viciados no controlo. Mas o controlo é sempre a última escolha. Faz parte da natureza humana resistir ao controlo e é precisamente por isso que, mais cedo ou mais tarde, ele se torna completamente ineficaz.

11. SER GENEROSA Procuro ser generosa na relação com os meus filhos. Isso significa que quero dar sem esperar nada em troca. Obviamente nem sempre consigo fazê‐lo, mas é essa a minha intenção. Ser generosa significa que entendo que todo o investimento que faço na relação com os meus filhos, é feito por eles e pela nossa relação, não para obter alguma coisa. Não utilizo os meus filhos para preencher sonhos meus. Não espero nenhum comportamento em particular, nem que seja de‐ monstrada gratidão. Praticar a generosidade nem sempre foi fácil para mim, mas posso dizer‐lhe que o resultado tem mudado a minha vida. A consequência mais importante não tem a ver com o comportamento dos meus filhos, tem a ver com a minha saúde emocional e a autoestima dos meus filhos. Quanto mais generosa consigo ser, melhor me sinto. Quanto melhor me sinto, mais capacidade e recursos tenho para criar bons encontros e boas relações.

Convido‐o agora a tirar alguns minutos para refletir sobre estes 11 pontos. Para continuarmos, esta reflexão é realmente importante. Principalmente se sente, no seu diálogo interno, que o que leu esbarra com ideias antigas, com argumentos opostos e desculpas para não agir de forma diferente. Se sente que necessita de entender melhor o que estes pontos significam, como implementa-las na prática, então o “Educar com Mindfulness na Adolescência” é definitivamente para si!

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